With a little Faith

Apresento-vos Faith, o cão! Este cachorro nasceu na véspera de Natal de 2002 e apenas tinha as patas traseiras. Como é óbvio, ele não conseguia andar, e até a sua própria mãe o rejeitou. O seu primeiro dono também pensou que ele jamais conseguiria andar e considerou a hipótese de “pô-lo a dormir”… Nessa altura, Jude Stringfellow, conheceu-o e pediu para ficar com ele. Determinada, foi ela que ensinou e treinou este cão a andar por si próprio.

Chamou-lhe “Faith”, Fé.

Ao princípio, colocou-o num skate para que ele sentisse o movimento. Usou depois manteiga de amendoim para que ele se levantasse e saltasse apenas com as duas pernas. Até os outros cães lá em casa o incentivavam ao movimento. Passados apenas 6 meses, Faith começou a aprender a equilibrar-se nas suas patas traseiras e a saltar para a frente. Depois de mais treinos na neve, Faith podia agora “caminhar” como um ser humano.

Faith adora andar por todo o lado e, onde quer que vá, atrai sobre si todas as atenções. Está a tornar-se internacionalmente famoso e até já apareceu em programas de televisão e jornais. Está também para ser publicado um livro sobre ele, intitulado “Com um pouco de Fé”. Jude Stringfellow, a sua dona, deixou o seu trabalho como professora e planeia dar a volta ao mundo com Faith para mostrar que não é preciso ter um corpo perfeito para se ser perfeito.

Meus amigos, a vida não é como nos filmes. Os super-heróis não existem e nós nem sempre ficamos com a miúda, mas isso não é razão para desistir. Não interessa como ou quantas vezes caímos desde que nos levantemos a seguir.

Espero, sinceramente, que esta mensagem vos faça mudar qualquer perspectiva negativa que tenham sobre a vida e que vos faça ver cada novo dia como uma bênção.

Medo nas Ruas


   Começou há uns dias a época da chuva e, como é habitual, começaram também as minhas boleias de guarda-chuva. A mais recente foi uma senhora, que encontrei a caminho do metro, que andava num passo apressado sob a torrente de chuva que caía. Ela aceitou relutantemente a boleia, perguntando-me inclusivamente se eu a conhecia. Ao responder-lhe que não ela ficou muito surpreendida e comecei a notar que a cada passo que dávamos ela ia ficando cada vez mais desconfortável. Ao atravessarmos a rua a mulher insistiu em continuar sozinha dizendo que daria uma “corridinha” até ao seu destino o qual, se não me engano, não era tão perto quanto isso.

   Não, não estou a escrever isto com o propósito de expor a minha “estupidez” (forma como algumas das pessoas que me conhecem a apelidam) a vocês. Então onde é que eu quero chegar com isto? Simples. Ou eu muito me engano ou a razão pela qual a pobre mulher fugiu de mim era porque ela estava cheia de medo. Medo do quê? Eu só lhe estava a dar… Ah! Será que ela estava com medo que eu a assaltasse? Sinceramente…

   Eu sei que me estou a repetir ao falar neste assunto mas acho que é algo que está muito mal na nossa sociedade e que pode ser mudado. Não por uma pessoa, não por duas, mas por todas as pessoas que constituem a nossa sociedade. Cabe a cada um de nós tentar mudar o que está mal à nossa volta. E não pensem que não faz mal fazer algo incorrecto só porque os outros fazem, é verdade que somos influenciados pelo meio em que vivemos mas assumo que sejam seres dotado da capacidade de raciocínio. Na minha opinião a cultural passa em primeiro lugar pelo individualismo.

   Por favor não me julguem como sendo ingénuo, eu sei que isto é uma ideia extremamente utópica mas, se eu conseguisse que pelo menos uma pessoa começasse a pensar como eu, já teria valido a pena o tempo que passei a escrever isto. O futuro está nas nossas mãos e eu não estou só a falar dos jovens meus caros, o futuro está nas mãos de todos os que estão actualmente vivos.

Verdade oculta


   As mentiras que dizemos para proteger aqueles que amamos são, por vezes, ditas para nos protegermos do sofrimento dessas mesmas pessoas ou até ditas por não termos coragem de expor a verdade e, assim, mentimo-nos a nós e a elas, dizendo que foi tudo para seu bem. Porque mentir? Porque não apenas ocultar? Há quem diga que é o mesmo, mas nem sempre é. Ocultar algo para nos protegermos, prejudicando assim outras pessoas pode ser visto como mentir, mas será que se pode dizer o mesmo de ocultar algo que apenas prejudicará a pessoa que o oculta se se vier a saber? Estará correcto condenar alguém por guardar um segredo?

   A curiosidade e necessidade de obter respostas presente em cada um de nós nem sempre nos leva pelos melhores caminhos ou a boas descobertas. Há segredos que não devem ser revelados a nenhum indivíduo, muito menos ao mundo mas, mesmo assim, continuamos a procurar as respostas às nossas perguntas, muitas vezes, sem pensarmos naqueles que magoamos pelo caminho. Cegos pelas perguntas que nos atormentam e pelo instinto que nos compele a perseguir as respostas, como que enlouquecidos por uma fome que nos consome. E, quando finalmente obtemos as respostas que perseguíamos tão desesperadamente, por piores que sejam, por mais desapontados que estejamos, apresentamo-las ao mundo. Talvez porque não queremos que outros cometam os mesmos erros que nós, talvez porque lhes queremos poupar o trabalho de procurar… as razões que nos levam a fazê-lo são diferentes para cada um e para cada situação.
 
   Mas, por mais nobres ou maliciosas que sejam as nossas razões, como já mencionei anteriormente, há segredos que não devem ser revelados, verdades que não devem ser procuradas… Como seres dotados da capacidade de raciocinar, devemos conseguir lutar contra os nossos instintos e prever as consequências dos nossos actos. Nós temos de facto essa capacidade mas, infelizmente, muitos de nós não a usam.

   Quanto a mentir para proteger aqueles que amamos, a meu ver devemos dizer sempre a verdade, as mentiras descobrem-se mais cedo ou mais tarde e há vezes em que a desilusão é pior que a verdade, por isso mais vale dizer logo a verdade ou, simplesmente, dizer que não se quer falar no assunto. Acho que, pelo menos, lhes devemos uma verdade.

Equilibrium


   Todos os seres procuram obter aquilo que não têm ou que lhes é negado, sejam respostas, objectos, ou até a atenção e amor de outro ser. O que nos levará a fazer tal coisa? Talvez instinto ou talvez seja a necessidade de contrariar os outros, de quebrar os limites que nos são impostos, de provar que temos razão ou, simplesmente, pelo desafio. Saltamos de uma necessidade para a outra, de busca em busca perseguindo aquilo que queremos e deixando para trás o que já tínhamos, num ciclo interminável de demandas com o objectivo de saciar uma sede insaciável.

   Como há sempre algo novo, depressa nos fartamos do antigo e usado e assim, deixamo-lo para trás, num monte oblívio, e nunca chegamos a dar-lhe o seu devido valor. O que é engraçado é que mais depressa cai no esquecimento o que é bom do que o que é mau. Qualquer pessoa precisa de um equilíbrio interior, afinal, “o que é demais enjoa”, mas o que é certo é que as pessoas enfatizam mais a sua tristeza, angustia e dor do que a sua felicidade, não sei se é para assim aproveitarem melhor os momentos de felicidade ou se é por estarem habituadas a ter uma vida infeliz e miserável.

   Seja qual for a razão para tal acentuação da infelicidade pessoal, esse equilíbrio tem de ser mantido para assim evitar problemas do surto psicológico. Como deve ser de conhecimento de todos, a vida, no geral, é maioritariamente composta por momentos e emoções negativas e, por isso, é necessário libertarmo-nos de algumas dessas emoções para "equilibrar a balança". Para isso, é preciso pelo menos uma de duas coisas: alguém com quem desabafar ou um escape. Um escape é qualquer coisa que vos afaste os vossos problemas da cabeça. Há quem opte pelos vícios, coisa que, sinceramente, eu não aprovo pois acho que há formas muito mais construtivas e saudáveis de descontrair como por exemplo, escrita, trabalhos manuais, desporto ou até um passeio por um sítio agradável (isto, claro, falando apenas de actividades individuais).

   Todos temos os nossos altos e baixos, uma vida sem ambos não seria possível e mesmo que fosse temo que não seria aceite, por isso, temos que aprender a achar um equilíbrio, a lidar com os nossos problemas, a saber ultrapassa-los e saber aproveitar tudo o que a vida tem de bom. De vez em quando, parem e olhem à vossa volta, dêem um pouco de valor e atenção àquilo que têm. Se passarem a vida a correr atrás de uma coisa quando derem por vocês podem já ter perdido tudo aquilo que tinham, acabando, assim, sozinhos e infelizes e a única coisa que verão quando olharem para trás será uma vida de constantes e fúteis perseguições.